Flash – do ódio ao amor

Hoje vou falar de uma história de amor. Durante muito tempo tive problemas sérios com o flash. Dedicado, pop-up, de estúdio, flash de led do celular (ok, desse ainda não gosto). Nunca importou muito. O lance é que esse cavalo brabo me dava uma luz horrorosa. Tensa. Não fazia sentindo para mim alguém dizer que usava flash. Cara, pensava, porque não investem a grana em iluminação continua de boa qualidade? E olha que eu nem me dava conta da existência daqueles softbox de luzes contínuas. Mas me parecia um tanto mais fácil entender a luz que já aparecia na cena.

É evidente que eu caí naquela mesma casca de banana que a maioria cai, o orgulho. O movimento é bastante conhecido. Detestamos lembrar que fizemos um investimento ruim, quando temos a certeza que fizemos. E no caso do primeiro flash, acredito que 80% das pessoas pensam nisso. Percebem que o flash não vai entregar de mão beijada a luz que o seu fotógrafo favorito faz. Não basta tê-lo. Em cima da câmera é ruim, não se imagina inicialmente que se possa usá-lo fora da mesma sem um rádio flash e ficamos ali, amargurados com aquela lâmpada metida a besta.

Porém, sempre me deixou curioso o fato de que se encontram poucos flashes usados à venda. Geralmente são postos nessa situação quando a pessoa muda de sistema. Exemplo, era Nikon e vai para Canon. Assim, comprei dois exemplares. Pessoas mudando de ares. Mas não porque comprou e se arrependeu. Entretanto, o que se encontra de gente insatisfeita com os pequenos canhões de luz, não é brincadeira. No mínimo curioso, é. Fico refletindo que no fundo, ela acha que um dia faz as pazes com ele. Um dia emagrece e ele venha a caber em sua fotografia. Um dia, dá um reset e ele roda, aliás, procedimento paranormal bastante comum no mundo da tecnologia. E no fim, a pessoa fala, “eu não gosto de flash, prefiro luz natural!”.

Falando sério, uma coisa é certa, há muita vontade de saber usá-lo na praça. Como dizia, não foi diferente comigo.

O que fazer? Estudar, não tem outro jeito. Precisamos entender (mais ainda) sobre a luz. As qualidades da luz, como ela pode se apresentar, sua direção, sua cor, sua intensidade e outras nuances.

Procure livros de fotografia básica e encontrará aos montes. Procure livros de luz e iluminação e o universo já reduz bastante. Desses, muitos esgotados, alguns fora de catálogo, os melhores em inglês. Sobre flash em si, menos opções ainda!

A maioria do que li sobre o assunto está em inglês. Infelizmente.

Saca aquela coisa de “você tem que fazer inglês”? Então, usa-se aqui.

E daí meu universo começou a mudar. Fui tomado de uma curiosidade que conheço em mim. Quando ela me pega, parece que não vou mais parar. Quero aprofundar, saber todos os porquês e finalmente realizar. Foi assim com a música, que não domino por completo, mas me viro muito bem, com fotografia básica mesmo, com teorias psicológicas, filosofia e depois com a luz. Assuntos que me tiraram dos acontecimentos cotidianos.

“Igor, você viu o jogo do Flamengo”. “Não”.

“Mas ele ganhou!” “Que ótimo!”

“Mas ele perdeu!” “Que ótimo!”

Bem assim.

A luz criativa me corroeu a visão de uma “luz natural” na fotografia. Eu quero as duas, a natural mais a do flash! O flash não precisa ser minha luz principal. Posso conjuga-lo.

E quando descobri usar dois flashes? Piração! Piração boa.

Os retratos sobem para outro nível!

Estudar a pintura ajuda muito nesse processo e até para usar somente luz natural a gente fica mais sagaz.

Pintores renascentistas, barroco italiano e holandeses do séc. XIV e XV são grande fonte de inspiração.

Portanto, quero te dizer. Estuda! Você VAI conseguir! Fala sério! Olha para tua fotografia hoje e veja o que já conquistou. Se você se esforça e treina todo dia, tenho certeza que estou me comunicando com alguém que consegue olhar para trás e ver alguma aprimoramento de olhar e técnica.

Por que haveria de ser diferente com o flash?

Tem alguma matemática associada sim, mas no modo manual dos três pilares de exposição da câmera também tem!

No fim, percebemos que as contas passam muito mais longe do que o sentimento. Você fotografa com o coração e o flash é luz nesse coração.

Muita luz pra todos vocês!

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