Vendi minhas fotos! Com ou sem logotipo?

Não somos aqui nem um site de marketing, tampouco especialistas em análise de mercado. Portanto, as opiniões aqui não refletem o que o mercado pede ou determinados padrões. Mas antes, uma análise de consumidor de fotografias e a minha perspectiva de quem vende.

É bastante comum ver na web a galera vendendo com logotipo. Bem, pelo menos fico sabendo que o trabalho foi pago e lá está o logotipo do fotógrafo em algum lugar da imagem pronto para que o olhar do espectador tropece nele.

Mas isso é legal?

Legalmente falando, nada o impede. Porém, se isso é interessante, já tenho minhas dúvidas.

Os defensores podem com razão argumentar que os pintores assinam seus quadros ou que quando você compra uma camisa de grife, vem lá um jacaré estampado no seu peito e isso é sinal de status, porque esse jacaré define um público e tal. E como vou desmentir isso? É verdade. Picasso assinava seus quadros! Mas, você é Picasso?

Na pintura é comum assinar quadros. Eu realmente poderia aqui começar a quebrar paradigmas. Nem todos os pintores assinavam quadros. Não me recordo de onde fica a assinatura da Mona Lisa. A assinatura dela, fica no seu estilo. O inconfundível estilo de Da Vinci, ou, na pior da hipóteses, de uma época; a pintura italiana renascentista. Se há assinatura, convenhamos, é discreta.

No caso das camisas com jacarés, peixes cruzados ou cacatuas (são cacatuas? Enfim…) já estamos num outro campo. Não é exatamente a arte em questão, mas a publicidade. Não sei se já se deu conta, mas fazemos ou somos impelidos a fazer publicidade para os outros o tempo todo. Para que fique claro, talvez seja melhor distinguir a diferença entre publicidade e propaganda.

Como não pretendo ser teórico de marketing e nem poderia sê-lo, vamos ao popular. Propaganda é quando você paga para veicular sua marca por algum meio (midia em latim). Quando impulsionamos postagem de Facebook ou Instagram, estamos fazendo propaganda. Pagamos por isso.

Publicidade é quando isso sai de graça. Por exemplo, quando você sair do mercado com a bolsa plástica de compras, vai pela rua publicizando aquela marca. De graça. Aliás, você até pagou por aquilo! Entendeu a diferença?

Agora voltemos às fotos. Temos dois modelos, o artístico e o do mercado. E vimos que mesmo no artístico há duas orientações. E agora? Bem, talvez seja mais apropriado usar a empatia.

Colocando-me no lugar do consumidor, não tenho muita vontade ou disposição de fazer publicidade para ninguém. Quando gosto de um produto, comento. Bem, isso é publicidade. O boca-a-boca ainda é a melhor, o mercado sabe disso. Mas não gosto de ser forçado a fazer publicidade. Tem horas inevitáveis e essa é uma estratégia desse próprio mercado. Exemplo é o próprio supermercado. Porém, penso que eu paguei pelo produto, ele é meu. Se eu gostar, faço o boca-a-boca.

Vamos às fotografias, nosso campo de vendas. Entrem nos maiores sites de venda de imagens como o Shutterstock ou o Getty Images e vejam se as imagens vendidas têm logotipo.

Eu entendo quem queira inserir a marca para espalhar sua arte, tornar-se conhecido por aí. Faça isso na sua publicação, dentro do seu Instagram ou meio digital escolhido. Entretanto, não deve ser papel do cliente fazer seu marketing digital. Ele pagou pelas fotos. O produto é de quem comprou. Você inclusive precisa de autorização para estampar a cara dele no seu site/perfil! Ou corre o risco do processo por direito do uso de imagem.

No caso de paisagens, tento não inventar a roda. Vamos aos Mestres. Já viu alguma foto de um grande paisagista assinada? Aliás, já viu de algum grande Meste? Araquém Alcantara, Sebastião Salgado, Cartier-Bresson? Não? Eu também não. Se eles não assinam, porque você assinaria?

“Mas há o risco de roubo!”

Perdoe-me, mas hoje em dia há softwares capazes de arrancar com perfeição marcas d’água que atravessam a foto! Porém, tenha o arquivo original em sua posse e o processo é fácil. Como diz outro Mestre, Clício Barroso Filho, se não quer ter foto roubada, não a coloque na internet. Mas se for colocar, coloque uma foto boa. Ele diz nunca ter perdido um processo desses. Então, voltemos à arte.

Pode ser que camisas e pinturas sejam mais apropriadas aos logotipos e assinaturas, ainda que eu compre camisas boas sem isso e Da Vinci não tenha assinado todos os quadros. Mas penso que logotipo ajude menos que se imagine. Os logotipos têm me feito achar que mais se tratam de iniciantes que de consolidados no mercado. Tá, eu sei, tem uns caras legais que colocam. Um dos que mais admiro, Daniel Freitas, coloca. Mas é o Daniel Freitas!

Então, talvez, só talvez, você não precise. Seja conhecido pelo seu estilo e não pelo seu logotipo! Não parece interessante?

Eu já pus inúmeras vezes e hoje coloco bem raramente e em situações muito pontuais. Como trabalho em uma escola de fotografia que faz eventos para muitos parceiros, me pedem para colocar. Mas busco outro reconhecimento. Procuro um cliente que se interesse em saber quem é e não que marca compra, até porque, esse não é meu público alvo.

 

 

 

 

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