Ensinar é…

Não sei se já comentei nesse pequeno cyberespaço, mas sou psicólogo de formação. Me apliquei bastante durante a faculdade e depois fiz pós para aprimorar na área clínica. A ideia era enveredar logo para o mestrado e talvez, depois de recuperar a sanidade mental, me jogar no doutorado. O mundo acadêmico me fascinou. E isso tinha nome e sobrenome. Na verdade, nomes e sobrenomes. Tive professores maravilhosos. Professores que ali já me ensinavam a ensinar. Nunca pensei na palavra “didática”. Em tese era, mas para mim eram como textos interpretados com louvor. Ora cheios de cacos, como se diz do improviso no teatro, ora mais amarrado em torno de uma oratória precisa e assertiva. Definitivamente para mim aquilo nunca se tratou de pedagogia, mas de arte. A sala de aula é um palco com presença de público garantida. Eu deveria estar lá.

A vida dá aquelas voltas e eu me mudei. Não a culpo, em verdade sou grato à ela por ter conseguido colocar uma meta pra fora do papel, sair da capital. Algumas perdas, muitos ganhos para quem prefere o estilo mais pacato.

Por aqui, psicologia não chega a ser uma necessidade identificável por muitos (pena) e numa somatória de motivos não listados, profissionalizei-me na fotografia. Em menos de um ano estava eu querendo ensinar alguém a fazer as fotos que fazia. Já eram 15 anos de saber acumulado nas horas de lazer e de repente tornou-se necessário transformar aquilo em aula.

Boa parte do meu prazer está em me perguntar como facilitar uma explicação. Tenho isso há muito tempo e nem sei precisar quando começou. Sabe aquelas rodas de amigos, um fala uma coisa, o outro não entende. De repente tá todo mundo tentando dar sua versão da fala do primeiro para ver se o segundo entende. Eu costumava me dar bem aqui. Minha explicação convencia. Essa lembrança voltou à minha mente há pouco e com ela me dei conta do quanto gostava de explicar.

Não é prazeroso explicar o que nos deixa entediado. Parece óbvio, mas quando a perspectiva do porquê dar aulas é somente o lucro, encontramos vários desses professores na praça. E não sou eu quem me queixo em particular. Aqueles que eu admiro enquanto docentes desabafam o mesmo. Pior, os alunos são os que mais comentam. E me sinto contente quando o fazem comigo pela confiança que depositam em mim, mas estarrecido sobre como pode alguém querer entrar numa seara dessas apenas visando mercado. Até porque, convenhamos, há lugares onde se ganha mais grana!

De qualquer maneira, o texto não é exatamente uma crítica aos maus professores, mas uma ode aos que se empenham nessa arte. Brilho no olhar é a recompensa de um professor. Pagamento maior de sua atividade intelectual, ainda que a valorização desse profissional não deva ser esquecida, porque professores não pagam contas com sorrisos.

Já estive na porta de ser professor de muitas coisas. Inglês, violão (verdade apesar de não mencionado antes), de psicologia, mas acabei sendo de fotografia. Valeu a pena esperar. Sou um artista mais completo e não falo das minhas fotos, lugar onde ainda me sinto (com orgulho) aluno, mas do palco da sala de aula. E mais, com terreno disponível para melhorar.

Um muito obrigado a quem me proporciona isso. Eu precisava dizer.

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